Cinco dias, sete monges e nenhuma palavra. Mas foi ali, entre chá verde e gravetos molhados, que aprendi a ouvir a mim mesma.
Existem viagens que expandem.
Outras, que elevam.
E algumas — raras — que te reduzem ao essencial.
Kyoto fez isso comigo.
Não a Kyoto das cerejeiras em flor, nem dos templos instagramáveis.
Mas a Kyoto do incenso lento, dos corredores de madeira antiga, da água quente que corre em silêncio — como se soubesse algo que nós esquecemos.Fiquei hospedada no HOTEL THE MITSUI KYOTO, um santuário de luxo contemporâneo que honra a tradição japonesa. Localizado no coração da cidade, o hotel oferece uma experiência sensorial única, com jardins meticulosamente cuidados e um onsen termal privado. O HOTEL THE MITSUI KYOTO foi reconhecido pela Condé Nast Traveler em sua Gold List 2024 como um dos melhores hotéis do mundo, destacando-se por sua elegância e serviço impecável.

À chegada, fui recebida com um chá quente e um sorriso silencioso.
O quarto, minimalista e acolhedor, oferecia uma vista serena para o jardim interno.
Cada detalhe — do aroma sutil no ar ao toque suave dos tecidos — convidava à introspecção.
Durante o dia, participei de um retiro em um mosteiro zen nos arredores de Arashiyama.
Acordava com o som de um sino às 5h.
Participava da meditação com sete monges.
Tomava chá verde sentado no chão, observando o vapor subir — quase como um mantra.
Não se falava.
Não se explicava.
Não se corria.
E foi exatamente nesse silêncio imposto que percebi o barulho que eu carregava dentro de mim.
Cada dia, um gesto: varrer as folhas secas do jardim de pedras.
Esfregar os tatames com um pano úmido.
Aquecer as mãos com uma tigela de miso fumegante.
Nada era urgente, e tudo era profundo.
Uma forma de bem-estar que não se vende — se vive.
Uma das noites mais marcantes foi durante o banho no onsen do hotel.
A água quente abraçava, e o cheiro do cipreste me lembrava que estar limpa por fora não significava nada se eu não me limpasse por dentro.
Foi ali que chorei pela segunda vez naquele mês.
O luxo?
Era o tempo.
O espaço.
O respeito.
E, no último dia, ao colocar meus sapatos e voltar à cidade, recebi um bilhete dobrado:
“O silêncio não é ausência. É um retorno.”




