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Georges: Um Almoço no Céu de Paris (Com Vista Para o Pompidou)

Por Thalita, curadora e cofundadora da VOYA COLLECTIONS

O design futurista, a vista dramática e o menu perfeitamente despretensioso fizeram desse almoço uma cena de filme francês.

Paris também é feita de alturas.
E poucas são tão inesperadamente elegantes quanto a do Georges, restaurante instalado no topo do Centre Pompidou.

Um lugar onde arte contemporânea, gastronomia e arquitetura se encontram sem precisar de legendas.
Georges não tenta ser parisiense — ele simplesmente é.
Minimalista, instigante, com um certo ar de segredo bem guardado entre insiders e olhares atentos.

Um restaurante que flutua 

Cheguei ao meio-dia e o elevador panorâmico já dava o tom:
a cidade ia se desenrolando sob meus pés como um lençol bem passado.
Ao sair no último andar, fui recebida por um espaço branco, limpo, com curvas futuristas, espelhos estratégicos e garçons vestidos com sobriedade arquitetada.

O céu era o teto.
A Torre Eiffel, a moldura.
E o Pompidou, a base de tudo.

Fui acomodada numa mesa lateral, com vista direta para Notre-Dame de um lado e os telhados de Paris do outro.
Simplesmente… cinematográfico.

Leveza, também à mesa

Pedi um tártaro de atum com abacate e gengibre, servido sobre uma cerâmica clara com gelo seco perfumado.
Delicado, fresco, com uma apresentação que misturava arte e contenção.

Acompanhei com um Sancerre branco, leve, seco, ideal para o clima translúcido daquela tarde.

Depois, um risoto de champignons com queijo comté, cremoso na medida exata, servido com o tipo de sofisticação que não grita — mas que convence.

“No Georges, até o garfo parece fazer parte da instalação.”

O silêncio das alturas

O som ambiente era um misto de Paris ao longe, risos baixos e uma trilha lounge discretamente inserida na arquitetura.
Nada ali distrai.
Tudo complementa.

A sobremesa?
Mousse de chocolate com flor de sal e azeite trufado.
Inesperada, precisa, sensorial.

E ao final, pedi um espresso — como quem não quer acordar daquele cenário.

Uma experiência de altura interna

Georges me fez lembrar que nem sempre o luxo está na tradição.
Às vezes, ele está na reinvenção com propósito.
Na leveza bem composta.
Na vista que silencia.
No design que não enfeita — apenas revela.